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IgG S1: saiba por que ele é o teste mais indicado para medir a eficiência da vacina contra a Covid-19

17/11/2020 - equipe Eurohub

 

por equipe Eurohub, hub de geração e disseminação do saber científico da EUROIMMUN Brasil


Mais de 200 estudos vacinais contra o vírus SARS-CoV-2 estão sendo realizados neste exato momento por cientistas do mundo todo e em tempo recorde. Com tamanha força-tarefa, logo teremos acesso ao tão aguardado imunizante que manterá a Covid-19 afastada – ou pelo menos fará com que seus sintomas sejam mais brandos. O desafio é que a chamada primeira geração de vacinas contra o coronavírus terá uma eficácia limitada. É por isso que o uso de testes sorológicos para avaliação da resposta vacinal de cada indivíduo será uma ferramenta fundamental.

 

A maior parte das vacinas em teste funciona de forma similar: um pedaço da proteína do vírus ou o próprio vírus inativado é injetado no organismo para estimular uma resposta imune. Assim, o corpo começa a produzir anticorpos contra aquele determinado antígeno que foi sensibilizado.

 

“O principal objetivo é que a vacina proporcione uma resposta para a produção dos chamados anticorpos neutralizantes, que são efetivamente capazes de neutralizar a ação do vírus ao se ligarem a pontos específicos – os epítopos imunogênicos – e bloquear sua entrada nas células”, explica Michel Soane, gerente de pesquisa e desenvolvimento do Eurohub, hub de geração e disseminação do saber científico da EUROIMMUN Brasil. Mas nem sempre isso acontece. Muitas vezes é possível detectar anticorpos que se ligam a outras regiões e não impedem o vírus de entrar na célula – e aí ele vai se replicar da mesma maneira.

 

Essa é a razão pela qual, dentro de uma resposta vacinal, é tão importante testar se os anticorpos que estão sendo produzidos são mesmo neutralizantes. Com o desenvolvimento rápido das vacinas contra o coronavírus e o fato de muitas delas ainda estarem em testes clínicos, é possível que essa resposta não seja muito grande. Se assim for, as primeiras vacinas até poderiam produzir anticorpos neutralizantes, mas sem que fossem de fato protetivos ou, caso o sejam, sem que protejam por muito tempo.

 

Essa premissa é ancorada em estudos que estão acompanhando pacientes assintomáticos ou com sintomas leves de Covid-19. Os primeiros resultados mostram que eles produzem uma quantidade reduzida de anticorpos, enquanto aqueles com sintomas mais severos da doença produzem mais anticorpos, embora por tempo limitado. O que os pesquisadores já notaram é que, entre três a cinco meses após a contaminação, vários pacientes negativam ou já apresentam importante queda no título de anticorpos. Isso significa que se essa mesma pessoa for exposta ao vírus, não terá mais anticorpos protetivos para impedir que adoeça novamente.

 

Nesse cenário, o teste sorológico é de enorme importância. A partir do momento em que se confirma a infecção pelo coronavírus, saber se o indivíduo está produzindo ou não anticorpos é essencial. Mas para fazer bom uso da ferramenta, é preciso avaliar dois pontos fundamentais: a hora certa e o tipo de teste a ser realizado.


Na infecção natural o ideal é aguardar sete dias após o início dos sintomas para realizar testes sorológicos como o ELISA anti-SARS-CoV-2 (IgG). Trata-se do único teste comercial que é direcionado para uma região conhecida como S1, onde fica a RBD. “O coronavírus possui vários sítios de ligação de anticorpos – epítopos imunogênicos – sendo o domínio S1 onde fica justamente o ponto RBD que liga o vírus na célula, na região ACE2. Todo anticorpo direcionado para essa região provavelmente tem uma capacidade de neutralização maior”, explica Soane.

 

Aproveitando-se dessa característica do coronavírus, o kit fabricado pela EUROIMMUN Brasil age diretamente no alvo S1 e faz uma análise qualitativa e quantitativa dos anticorpos, para avaliar o título presente de anticorpos, com alta correlação com o padrão ouro para detecção de anticorpos neutralizantes, trazendo importante informação sobre a imunidade desse paciente com alta acurácia.


Com a chegada da vacina contra o coronavírus o raciocínio é semelhante. Sempre que uma pessoa tomar a dose imunizante, será preciso testar se o seu organismo foi capaz de produzir um título aceitável e uma alta concentração protetiva de anticorpos, além de confirmar se os anticorpos produzidos são realmente neutralizantes contra o SARS-CoV-2 para impedir a entrada do vírus na célula.

 

A adoção da testagem sorológica após a vacinação não é nova e acontece em outros casos, como na vacina contra o vírus da hepatite B (HBV). Após as três doses recomendadas, é comum o médico solicitar um exame de sangue para avaliar a proteção do paciente contra o HBV. “Ainda não sabemos qual protocolo vacinal será adotado contra o coronavírus, mas, levando em conta a resposta imune à infecção natural da doença, provavelmente o teste sorológico será indicado aproximadamente um mês após a vacinação para apresentar um resultado seguro acerca da produção ou não de anticorpos”, prevê Soane.

 


Michel Soane conta que os kits da EUROIMMUN Brasil são desenvolvidos com epítopos recombinantes e desenhados para ter uma melhor sensibilidade e especificidade a partir da tecnologia do DNA recombinante. O caminho para chegar ao melhor teste possível começa com os pesquisadores observando a estrutura e código genético do vírus, entendendo suas vias de infecção e patogenicidade. Em casos de vírus respiratórios, como o SARS-CoV-2, sabe-se que na resposta secundária, o primeiro anticorpo é o da classe  IgA, pois a mucosa é infectada. O teste é desenvolvido com base nesses conceitos de onde o vírus se liga na célula, sua composição genômica e estrutura, comparando-se com vírus similares como SARS-CoV-1 e MERS. A partir desse conhecimento prévio, passa-se a buscar qual epítopo tem uma boa resposta na identificação do anticorpo e o teste é desenhado com base nesse antígeno para que tenha uma alta sensibilidade e especificidade.    

 

Entre as vantagens técnicas de trabalhar com kits comerciais, Michel enfatiza três pontos: (1) metodologia rápida e padronizada; (2) os poços quebráveis, que permitem a otimização do material para a quantidade necessária na rotina de cada centro diagnóstico; e (3) a codificação por cores dos reagentes, que permite uma rápida identificação de qual etapa do processo está sendo feita.

 

Outra preocupação durante o desenvolvimento dos kits é para que sejam robustos e, assim,  possam ser replicados em diversas populações, em variados laboratórios, com diferentes analistas e equipamentos trabalhando no mesmo método. É por isso que pesquisadores testam o material em diferentes populações para produzir toda a documentação científica para a aprovação de um kit diagnóstico in vitro (IVD).

 

A Anvisa realiza os mesmos testes de sensibilidade e especificidade antes de emitir o registro. No caso do  ELISA anti-SARS-CoV-2 (IgG), essa aprovação aconteceu de forma muito rápida, em apenas duas semanas, confirmando os achados durante o desenvolvimento do kit.

 

Assim como acontece com as vacinas, o objetivo final é assegurar maior segurança no resultado. Em um futuro breve, a imunização e a testagem sorológica poderão ser usadas em conjunto, garantindo uma maior eficácia na prevenção contra o coronavírus.


Veja também:


Entenda como usar a detecção de anticorpos IgA para o diagnóstico da Covid-19


Long‐term coexistence of SARS‐CoV‐2 with antibody response in COVID‐19 patients

 

Robust T Cell Immunity in Convalescent Individuals with Asymptomatic or Mild COVID-19

 

COVID-19 and the Path to Immunity

 

Long-term infection of SARS-CoV-2 changed the body's immune status

 

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