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Biomarcadores de fluidos apoiam diagnóstico da doença de Alzheimer

03/12/2020 - equipe Eurohub, hub de geração e disseminação do saber científico da EUROIMMUN Brasil

Falhas de memória e lentidão para realizar tarefas cotidianas são as alterações cognitivas decorrentes do envelhecimento mais facilmente notadas, tanto por quem envelhece quanto pelos familiares e amigos que estão ao redor. Mas, sozinhas, essas características não significam necessariamente que esse indivíduo desenvolveu a temida doença de Alzheimer. Para a detecção da doença, há todo um caminho de investigação clínica e laboratorial que conta, inclusive, com a ajuda de biomarcadores de fluidos.  

Esses biomarcadores são aliados fundamentais do diagnóstico porque o Alzheimer tem características diferentes de outros tipos de demência, que juntas representam a maior causa de incapacidade e dependência entre pessoas com mais de 60 anos no mundo todo. A denominação demência engloba doenças como Parkinson, Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e, também, o Alzheimer, que se manifesta em até 70% dos casos. São todas condições que provocam perda progressiva na estrutura neural e até mesmo morte de alguns neurônios, mas a doença de Alzheimer tem a especificidade de só ser confirmada com exatidão após a morte do paciente. Assim, diagnósticos in vivo são baseados, predominantemente, na verificação clínica da demência e sua classificação etiológica. 

 

No Brasil, além da anamnese e do perfil neuropsicológico, os médicos também podem solicitar exames laboratoriais e de imagem para dar suporte às avaliações. É o caso de tomografia computadorizada, ressonância magnética, SPECT e PET, e, principalmente, dos testes de biomarcadores para Alzheimer, realizados através do líquido cefalorraquidiano (LCR). Por meio da amostra que é  coletada através de punção lombar, testes como proteína total tau e  anti-tau fosforilada (181) localizam e quantificam no líquor o acúmulo de proteína tau dentro das células cerebrais, o que indica uma degeneração neuronal. Já os testes de proteína beta-amiloide 1-40 e 1-42 investigam a formação das placas beta-amiloides. As concentrações de beta-amilóide 1-42 solúvel e espécies de tau no líquido cefalorraquidiano (LCR) refletem as mudanças neuropatológicas específicas do Alzheimer no cérebro (placas amiloides e emaranhados  neurofibrilares, respectivamente), que são mais uma peça importante no quebra-cabeças capaz de comprovar a instalação da doença.

 

Ensaios para detecção de biomarcadores no líquor para a doença de Alzheimer são realizados com a metodologia ELISA. A técnica é considerada inovadora por permitir a diferenciação do Alzheimer de outras demências no estágio inicial da doença, antes mesmo de sintomas cognitivos leves  aparecerem. “Detectar a doença em um estágio inicial, e com uma boa correlação com os níveis de líquido cefalorraquidiano, ajuda a monitorar a resposta do paciente à terapia e, portanto, é um biomarcador de prognóstico robusto”, explica Dr Iswariya Venkataraman, gerente de produtos na EUROIMMUN US. Em resumo, é uma oportunidade única para os médicos agirem com antecedência e recomendarem um tratamento assertivo em uma fase da doença em que a resposta terapêutica é mais rápida e melhor. 

 

A tecnologia eleva a esperança de que, em breve, a ciência encontre outras formas eficientes de diagnosticar com antecedência a doença de Alzheimer e, a partir desse entendimento, desenvolver tratamentos mais efetivos e que retardem ainda mais o desenvolvimento da doença, permitindo melhor qualidade de vida do paciente e de seus familiares. Em julho de 2020, por exemplo, foi divulgada uma pesquisa promissora sugerindo que biomarcadores poderiam ser encontrados até mesmo na amostra de sangue de pacientes, o que sugere uma evolução dos testes feitos com líquido cefalorraquidiano e que já demonstram alta segurança em detectar sintomas leves de Alzheimer. No entanto, apesar dos esforços de pesquisadores no mundo todo, identificar biomarcadores de proteínas que sejam clinicamente significativos para o diagnóstico tem se mostrado uma tarefa muito desafiadora, especialmente para doenças neurodegenerativas.

 

“Não estamos mais tentando encontrar um biomarcador que detecte a doença de Alzheimer no cérebro, mas sim uma série de biomarcadores capazes de identificar marcas patológicas de doenças degenerativas. Por exemplo, placas amiloides no cérebro de um paciente podem ser encontradas com os testes que buscam proteína beta-amiloide 1-40 e 1-42 no líquido cefalorraquidiano”, comenta Iswariya. “Já os testes que pesquisam a proteína tau e o anti-tau fosforilada (181) no líquor podem ser usados quando houver patologias como corpos de Lewy, para as quais ainda não existam biomarcadores de fluido disponíveis”, complementa.

 

O raciocínio médico por detrás desses exames diagnósticos é deixar de tratar os sintomas cognitivos do Alzheimer, como perda de memória, confusão mental, e dificuldades em pensamentos e raciocínios, para fazer uso de drogas específicas para a patologia detectada. Assim, pacientes cujo resultado dos testes de placas amiloides retornam positivo serão tratados com medicamentos com ação antiamiloide. E, caso também apresentem corpos de Lewy, será possível complementar o tratamento com um medicamento anti proteína TDP-43 (ainda indisponível no Brasil).

 

Os biomarcadores são, portanto, fundamentais para a pesquisa das mais diferentes patologias, em especial as neurodegenerativas. Seu uso facilita o desenvolvimento de novas drogas terapêuticas, pois permite a seleção dos medicamentos e do participante certos, além do ensaio clínico correto para um melhor resultado. Há um número crescente de biomarcadores sendo identificados por meio de pesquisas pré-clínicas, mas com utilidade clínica limitada, pois ainda faltam ensaios robustos e confiáveis.

 

Nesse cenário, as empresas de diagnóstico in vitro (IVD) enfrentam um cenário complexo para o desenvolvimento de biomarcadores, pois precisam avaliar e determinar o uso pretendido, a matriz de amostra ideal, o acesso às amostras, o nível de qualificação e validação, a escolha da plataforma, as demandas de mercado, além das aprovações regulatórias. “Para superar esses desafios, há uma necessidade urgente de colaboração multidisciplinar entre empresas de IVD, farmacêuticas e instituições de pesquisa”, sugere Iswariya. 

 

Uma doença tão complexa quanto o Alzheimer requer mesmo que múltiplos atores sejam envolvidos na tentativa de buscar um melhor diagnóstico, que leve ao tratamento mais efetivo e, assim, melhore a qualidade de vida dos indivíduos e familiares que precisam lidar com os sintomas. 

 

 

Leia também: 

 

Alzheimer: número real de doentes pode ser o dobro do que se pensa-pensa-EUROIMMUN-Brasil

World Alzheimer Report 2020

Alzheimer's Association Brasil

Demência: número de pessoas afetadas triplicará nos próximos 30 anos - OPAS Brasil - OMS

Discriminative Accuracy of Plasma Phospho-tau217 for Alzheimer Disease vs Other Neurodegenerative Disorders.  JAMA, 2020

 

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