Blog

No Blog da EUROIMMUN, você fica informado sobre tudo relacionado a diagnóstico médico: Notícias, Entrevistas, Eventos, Lançamentos de Produtos e muito mais...

Aprendizados pós Covid-19: mais do que "para onde vamos", "com quem vamos"?

10/12/2020 - Marcos Philippsen

 

Trabalho há 20 anos no mercado de medicina diagnóstica in vitro (IVD) e essa é a primeira vez que ouço termos característicos da área em discussão na mesa do café da manhã de muitos brasileiros. Durante os meses de quarentena, siglas como PCR, IgG, IgM e IgA se misturaram às conversas informais das famílias que queriam aprender a diferença entre exames de detecção e testes de sorologia para o diagnóstico da Covid-19. Foi gratificante acompanhar essa tomada de protagonismo.


Agora, a liderança no pós-pandemia está com as empresas que desenvolvem as vacinas. E cada novo resultado positivo sobre percentuais de eficácia e segurança traz de volta a esperança que parecia perdida. É perceptível a paixão que motiva os cientistas nessa corrida para imunizar a população. Qual será a primeira empresa a conseguir aprovar sua vacina? Quem vai ter a autorização das agências reguladoras para fazer o lançamento? Mas será que a corrida por ser o primeiro na linha de chegada é a liderança que realmente importa? Eu penso que não.


A ousadia é umas das principais características para quem almeja o sucesso, pois costuma vir acompanhada de coragem para tentar algo diferente, que ainda não foi feito. Eu procurei moldar minha carreira nessa premissa, história que já contei no artigo Como fui de propagandista a líder de uma empresa de cientistas. E os pesquisadores que estão trabalhando na imunização contra o novo coronavírus são o maior exemplo disso em 2020. Só que ousadia sem respeito é apenas insolência ou petulância


O respeito a que me refiro está conectado com a integridade e com o entendimento de que sozinho pouco se alcança. “Por que eu quero ser pioneiro no desenvolvimento da tão aguardada vacina?”, deveriam se perguntar todos que estão nessa corrida. E a resposta precisa refletir não apenas uma vontade individual, cheia de paixão, mas uma capacidade coletiva. Afinal, quanto mais pessoas forem ouvidas e envolvidas em projetos ousados, tanto melhor.


O exemplo não cabe apenas a projetos grandiosos como esse, mas pode servir para moldar passos menores durante a carreira. Comigo foi assim. Sempre que pude, aceitei participar de projetos ousados, mas logo entendi que parte do segredo para fazê-los darem certo era convidar mais pessoas a estarem comigo. Conversar com a equipe antes de executar uma tarefa, dividir as decisões ou deixar que outros assumam a liderança com você são gestos de generosidade.


Muitos pensam que coragem e ousadia servem apenas àqueles que têm pressa em crescer na carreira. Mas dá para ser corajoso sem ser petulante. Para tanto, é preciso confiar nos outros, sejam eles parte da equipe ou da corporação, e em si mesmo, pois a inovação será sempre melhor se servir a todos.


De volta à vacina, espero que cada pesquisador esteja motivado a ser o primeiro a lançar o imunizante porque deseja que a população mundial possa voltar a estudar, trabalhar e levar uma vida sem medo de adoecer por estar em contato com outro ser humano. Que cada um deles saiba que o maior ganho de sua ousadia não será político, mas social e coletivo. 


Está próximo o dia em que poderemos usar a expressão “pós-Covid-19” com a  segurança de que o pior ficou para trás. Quando esse momento chegar, que toda a ousadia dos cientistas seja premiada com o respeito da sociedade. 

 

 

*Marcos Philippsen é country lead na EUROIMMUN Brasil, empresa de diagnóstico in vitro que une o saber científico, a excelência e o comprometimento com a vida para acelerar os avanços da medicina diagnóstica e, assim, construir uma sociedade mais saudável para todos


  • Linkedin
  • Pinterest
  • Email