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3 reflexões sobre feedback em tempos de trabalho híbrido

01/04/2021 - Por Marcos Philippsen*

 

Competência profissional é, principalmente, combinar conhecimento e confiança. E eu não tenho dúvida de que o feedback é a ferramenta certa para ajudar cada pessoa a adquirir essas duas habilidades. Mas, de tempos em tempos, essa conversa muda de forma, com a introdução de métodos que são indicados por estudiosos e de práticas que a experiência ensina.

Ando pensativo sobre alguns aspectos do feedback neste último ano,  especialmente por causa da mudança na rotina de trabalho, que passou a ser híbrida: ora presencial, ora digital. E, embora minha formação acadêmica seja em farmácia, como contei no artigo Como fui de propagandista a líder de uma empresa de cientistas, eu tento entender melhor o comportamento humano para ajudar as pessoas que trabalham comigo a melhorar seu desempenho. 

 Sabemos que dar feedback não é simples. Por isso, compartilho algumas das minhas reflexões e experiências a seguir:

1- O que eu penso sobre alguém é, apenas, o que EU penso sobre alguém

A frase é um tanto óbvia, mas vamos lá, leia-a novamente com a ênfase que sugeri.

Tenho percebido cada vez mais que o feedback é apenas a opinião pessoal de quem está avaliando o desempenho do outro - e nunca uma verdade absoluta. Saber disso é importante para o profissional que recebe a devolutiva, para que entenda que não precisa seguir à risca todas as orientações para atingir a excelência em seu trabalho, mas deve aprender a identificar qual parte do feedback é mais importante para ele neste exato momento. Aliás, até mesmo o conceito de excelência está sujeito a variadas interpretações.

O importante, a meu ver, é que cada um de nós possa encontrar formas de se autoavaliar, reunindo informações que os líderes e os colegas compartilham a nosso respeito, aliadas ao desempenho medido contra metas desafiadoras que traçamos. Com esses dados, fica mais fácil trabalhar a automotivação, uma das qualidades mais importantes em tempos híbridos. 

2- O feedback ficou mais difícil na rotina híbrida, mas ele é ainda mais importante agora

Reuniões de feedback são uma excelente forma de manter a conexão que a falta de encontros diários no escritório nos tomou. Não tenho respostas prontas sobre como vamos fazer isso de forma eficaz, portanto, vou apenas descrever o que eu acredito que deva acontecer.

O maior desafio hoje é encontrar maneiras de, dentro do horário de trabalho, estimular as pessoas a conversarem mais sem que o assunto seja o trabalho especificamente. Será, então, que não vale a pena ter uma sala virtual aberta a todos aqueles que quiserem entrar para “estar” com os colegas como se fosse no escritório? Por que não?

Aqui na EUROIMMUN Brasil, por exemplo, nós realizamos uma reunião semanal com todos os funcionários, sempre às sextas-feiras, na meia hora final do expediente. Não há nada muito sério a ser discutido, mas falamos tanta coisa importante: conversamos sobre como foi a semana, damos risadas juntos, choramos também, e até já aconteceu de usarmos esse espaço para nos despedirmos de uma pessoa querida que deixou a empresa e partiu para novos projetos. 

3- É preciso ajudar as pessoas a desenvolverem suas competências para que elas próprias também monitorem suas metas

Novamente, pelo fato de estarmos trabalhando muito afastados uns dos outros, é primordial que cada funcionário se responsabilize por desenvolver as próprias aptidões. Comece pelas suas metas pessoais. Escolha três metas desafiadoras, mas não caia na tentação de descrever vários subtópicos para cada meta. Para isso, crie um plano de ação paralelo. Seu superior pode te ajudar nessa tarefa, mas lembre-se que o “dono” da meta é você. O monitoramento contínuo vai te permitir saber se está indo apenas bem ou MUITO bem neste ano.

Receber um feedback justo é primordial, pois isso impacta diretamente na confiança de cada um e, consequentemente, na competência profissional. Solicite feedbacks, mesmo que informais, a seus pares e outros gestores. Cuidado para não escutar apenas quem você sabe que gosta do seu trabalho. Busque principalmente detalhes de como melhorar a sua comunicação, percepções sobre atendimentos a prazos, qualidade do que você entrega e postura.

Em organizações onde isso não acontece e apenas o líder é o responsável por avaliar o funcionário, toda a carreira de uma pessoa pode estar sendo construída com base em uma opinião pessoal.  Isso é péssimo, especialmente quando o feedback atribui uma nota a cada indivíduo, que depois será usada até mesmo para decidir sua remuneração pelos próximos anos. Certamente é algo a se repensar.

Para que o feedback faça efeito, cada liderança deve trazer mais para a conversa o próprio sentimento, mostrando como se sente diante do colaborador também. O impacto que geramos no outro pela forma como falamos, atuamos e nos comportamos é relevante demais para que essas demonstrações sejam veladas por reuniões frias de avaliação de desempenho e atingimento de KPIs.

E na sua empresa, como está o processo de feedback no modelo híbrido? Conte-me sobre a sua experiência nos comentários.

*Marcos Philippsen é country lead na EUROIMMUN Brasil, empresa de diagnóstico in vitro que une o saber científico, a excelência e o comprometimento com a vida para acelerar os avanços da medicina diagnóstica e, assim, construir uma sociedade mais saudável para todos 

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