Blog

No Blog da EUROIMMUN, você fica informado sobre tudo relacionado a diagnóstico médico: Notícias, Entrevistas, Eventos, Lançamentos de Produtos e muito mais...

Como planejar o melhor caminho para o diagnóstico preciso da dermatose bolhosa autoimune

08/04/2021 - por equipe Eurohub, hub de geração e disseminação do saber científico da EUROIMMUN Brasil

A dermatose bolhosa autoimune é uma doença rara, mas que atualmente conta com uma gama de testes diagnósticos disponíveis ao médico dermatologista para a confirmação do quadro clínico. Entre eles estão os de imunofluorescência indireta e ELISA, realizados a partir das amostras de sangue e soro do paciente, e os de imunofluorescência direta, feitos a partir da biópsia da pele. Portanto, o desafio para o diagnóstico ágil e assertivo não está na ausência de recursos, como ocorre com outras patologias, mas sim em estabelecer quando e qual exame deve ser usado em cada caso. 

No Brasil, os kits comerciais in vitro, como a imunofluorescência indireta e, principalmente os ensaios imunoespecíficos, como os testes ELISA, costumam ser a primeira opção para a confirmação do diagnóstico. Isso porque são mais acessíveis e trazem resultados importantes para o médico clínico. “Os testes ELISA funcionam de maneira semelhante a outros ensaios feitos com essa tecnologia: os poços da placa são revestidos com antígenos referentes às proteínas estruturais da pele para as quais existem anticorpos específicos que se quer detectar”, resume Ingolf Karl,  gerente de produtos da EUROIMMUN AG. 

Há um teste ELISA próprio para detectar o autoanticorpo específico para cada tipo de dermatose bolhosa autoimune. E essa é uma característica fundamental dos exames, já que a doença se divide em dois grandes grupos, a depender da localização das bolhas: as intraepidérmicas, como o grupo dos pênfigos, e as subepidérmicas, que ficam abaixo da membrana basal, como o grupo dos penfigóides e dermatoses anti-colágeno VII.

O especialista da EUROIMMUN AG explica que, na primeira etapa da reação, as amostras do paciente (soro ou plasma) são incubadas nos poços da placa de ELISA, revestidos com o antígeno. Se nessa amostra houver os autoanticorpos contra a doença, eles vão se ligar aos antígenos da placa. Na  segunda etapa, acontece a detecção dos autoanticorpos do paciente, que é feita com o uso de uma imunoglobulina de classe IgG anti-humana, marcada enzimaticamente (conjugado enzimático).  “Essa enzima catalisadora promove uma reação colorimétrica na qual é possível analisar facilmente o resultado do paciente em comparação com ocontrole positivo e negativo para a doença”, continua Karl. 

Embora os testes ELISA sejam, em geral, utilizados para confirmação do diagnóstico, o especialista recomenda a realização de testes complementares. “Isso porque em ensaios imunoespecíficos alguns pacientes que não têm autoanticorpos dominantes podem ser negligenciados. Por exemplo, ao usar o teste Anti-BP180-NC16A-4X ELISA (IgG) em busca de autoanticorpos para o diagnóstico de penfigoide bolhoso, apenas 80% dos pacientes são rastreados corretamente”, explica. Ou seja, os 20% restantes precisam de outros testes para comprovar o diagnóstico. Por isso, o uso de recursos como a imunofluorescência indireta, que analisa outros tecidos onde os anticorpos podem estar presentes, ampliam o percentual de pacientes detectados. “A melhor estratégia para o diagnóstico preciso é realizar esses dois métodos paralelamente”, resume.

Outro alerta aos dermatologistas é que a dermatose bolhosa autoimune reúne um grupo entre 20 e 30 doenças que não são fáceis de distinguir por meio de sintomas. E mais, a apresentação clínica nem sempre é igual, mesmo entre pacientes que possuem a mesma doença. “Muitas vezes é desafiador selecionar para qual teste ELISA a amostra do paciente deve ser usada para detectar o anticorpo correto. Por essa razão, muitos de nossos clientes iniciam a estratégia diagnóstica pela a imunofluorescência indireta e, assim, têm uma melhor indicação de qual teste ELISA devem escolher para obter o diagnóstico preciso”, diz Karl. 

É que na imunofluorescência indireta algumas partes do tecido ficam mais iluminadas quando o diagnóstico aponta a doença de pênfigo ao invés de penfigoide bolhoso, por exemplo. Fazer a imunofluorescência direta a partir da biópsia é outra estratégia possível para que, posteriormente, realizar o teste ELISA para confirmar o resultado. Claro, desde que a amostra do tecido tenha sido colhida de maneira apropriada para a realização do exame, o que nem sempre é simples devido às características da doença, que, no Brasil, costuma ocorrer em áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos e, portanto, com menos acesso aos serviços de Saúde.

Essa complexidade no raciocínio clínico para traçar o diagnóstico faz com que, em média, o paciente aguarde até três anos para a confirmação da doença. Outra questão que atrasa o início do tratamento é que outras especialidades que poderiam fazer a triagem dos pacientes e encaminhá-los aos dermatologistas ainda desconhecem a patologia. É o caso de dentistas, por exemplo, já que muitas vezes as lesões podem aparecer na mucosa bucal. 

A boa notícia é que os testes ELISA são exames bastante conhecidos, fáceis e rápidos - e, assim, contribuem para que o diagnóstico seja cada vez mais preciso e, a partir disso, o tratamento possa ser assertivo, promovendo mais qualidade de vida aos portadores da doença.

 

Veja também: 

Serological Diagnosis of Autoimmune Bullous Skin Diseases 

Routine detection of serum anti‐desmocollin autoantibodies is only useful in patients with atypical pemphigus 

Correlation of Serum Levels of IgE Autoantibodies Against BP180 With Bullous Pemphigoid Disease Activity 

Specific and sensitive detection of serum autoantibodies against novel recombinant forms of the BP180 ectodomain in patients with bullous pemphigoid and mucous membrane pemphigoid

Coisa de pele: o complexo diagnóstico das dermatoses bolhosas autoimunes

 

  • Linkedin
  • Pinterest
  • Email