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Teste ELISA de competição: uma reação de cor que acende o alerta para doenças da tireoide

22/06/2021 - por equipe EUROHub, hub de geração e disseminação do saber científico da EUROIMMUN Brasil

A hipófise é conhecida como a glândula mestre do nosso organismo, pois cabe a ela a nobre função de produzir, sempre que necessário, hormônios específicos para ativar outras glândulas secundárias. Nesse caso, o mensageiro escolhido é o hormônio tireoestimulante, o TSH, cuja função principal é avisar a tireoide quando os hormônios T3 e T4 estão em níveis baixos e é hora de produzi-los. 

“A partir dessa mensagem que a tireoide recebe do TSH, a glândula capta iodo da circulação e, por meio da enzima TPO [tireoperoxidase], utiliza esse iodo para a produção de T3 e T4 que serão liberados no organismo”, explica Leticia D'Argenio Garcia, biomédica, doutora em ciências da saúde e especialista em pesquisa e treinamento da EUROIMMUN Brasil. Mas nem todo esse hormônio recém-fabricado é liberado na forma de T3 e T4 livre. A maioria, aliás, permanece conjugada a outra molécula. Assim, kits diagnósticos que quantificam o T3 e o T4 livre estão, na verdade, contabilizando apenas os hormônios que têm uma ação fisiológica no organismo.

“Classicamente, os exames para investigar a função tireoidiana eram feitos por radioimunoensaio [RIA], que é uma técnica mais difícil de manipular”, destaca Letícia. O RIA, como o próprio nome diz, é feito por radiação e deixa a rotina laboratorial mais complexa por questões de biossegurança.

O teste ELISA de competição torna a investigação da dosagem de T3 livre mais simples. Com um manuseio de baixa complexidade, a metodologia consegue identificar a presença quantitativa in vitro de triiodotironina livre (FT3) em amostras de soro humano em um exame feito na bancada, inserido na rotina de outros marcadores da doença tireoidiana. Trata-se de uma vantagem porque esse tipo de exame costuma ser solicitado pelo médico endocrinologista juntamente com o T4 livre e o TSH em casos de suspeita de hiper ou hipotireoidismo. 

“O teste ELISA de competição é muito usado em exames que investigam a dosagem hormonal. No caso do kit FT3 da EUROIMMUN, cada um dos 96 poços da placa de ELISA está revestido com um anticorpo contra o T3 livre e a etapa inicial de incubação favorece uma competição entre a amostra do paciente, onde é esperado que exista o T3 livre, e outra substância presente no kit que tem o mesmo sítio de ligação do anticorpo presente na placa e, por isso, vai competir por essa ligação”, diz Letícia, exemplificando que é como se houvesse um único lugar no podium para dois competidores, e ambos querem ocupá-lo.  “Nesse caso, quanto mais T3 livre a amostra tiver, mais ele inibirá a molécula adicionada artificialmente de se ligar ao anticorpo”, complementa. 

Outra particularidade é que a molécula de competição carrega um marcador de cor. “Se a amostra tiver uma maior quantidade de T3 livre, o hormônio vence a competição com a substância colorida e se liga aos anticorpos da placa. Daí que o resultado será inversamente proporcional: quanto menos cor aparecer ao final, significa que a amostra tem uma maior quantidade de T3 livre”, resume a biomédica. Da mesma forma, se o resultado final for uma cor amarela forte no poço significa que a amostra possui pouco T3 livre circulante. 

Além da marcação por cor, o resultado final mostra exatamente a quantidade de T3 livre na amostra. “O teste ELISA de competição vem com uma curva de calibração formada por seis calibradores de concentração conhecida. Assim, basta o analista observar os valores referentes às cores que aparecem na placa em cada um desses calibradores e plotar os dados em uma curva para que o sistema faça uma leitura e realize o cálculo estatístico que mostrará a quantidade exata do hormônio presente”, diz Letícia. O teste ELISA ainda pode ser feito de maneira totalmente automatizada em equipamentos como o Analyzer 1, Sprinter XL e a EUROLABWORKSTATION.

Exames para quantificação de hormônios tireoidianos normalmente são solicitados por médicos endocrinologistas, mas ginecologistas e cardiologistas também incluem o exame em check-ups quando percebem uma hipótese diagnóstica a partir de observações clínicas.

A adoção do teste ELISA para a dosagem hormonal ainda é uma novidade para a medicina diagnóstica do Brasil, embora seja mais sensível e tenha uma qualidade maior que outras metodologias. “A quimioluminescência [CLIA], que é bastante usada para dosagem de hormônios tireoidianos, embora seja randomizada no aparelho, tem uma menor sensibilidade e especificidade do que o teste ELISA”, garante a biomédica.  

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