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"Eu tenho uma boa e uma má notícia..."

15/07/2021 - Por Marcos Philippsen, country lead na EUROIMMUN Brasil

“Isso é inaceitável”. Perdi as contas de quantas vezes ouvi essa resposta quando precisei compartilhar notícias ruins com alguns gestores ao longo da minha carreira. De longe, penso que essa é a pior resposta possível que uma pessoa em cargo de liderança deve dar, pois ela deixa o funcionário absolutamente sem reação. O que significa "inaceitável", afinal? Trata-se de uma demissão? Ou será que o gestor espera mesmo ouvir outra informação que não aquela que já foi dada? Nunca soube ao certo o que essas três palavras queriam dizer e, por isso, tomo bastante cuidado para não invocá-las tantas vezes quanto eu as ouvi. 

Mas ser o porta-voz de más notícias é capcioso. Afinal, a maneira que um gestor escolhe para comunicar um assunto delicado ao time pode deixar sua vida mais fácil ou bem mais difícil. Eu, por exemplo, percebi logo que pessoas que tentam bancar o herói da corporação e só compartilham assuntos positivos, destacando sempre a própria atuação, vão sofrer no futuro. Quando as notícias ruins chegarem - e, acredite, elas sempre chegam - a responsabilidade também será dirigida.

Para não cair nessa cilada, a solução que recomendo é evitar reações extremistas: nem comemorar boas novas com entusiasmo demais, nem receber relatos de problemas com demasiada negatividade. 

Um ano atrás, eu buscava um benefício aos gerentes da EUROIMMUN Brasil: queria que todos eles tivessem carros fornecidos pela empresa. Conversei com meu chefe, que me deu sinal verde para seguir, e adivinhe qual foi a primeira coisa que eu fiz? Acertou quem disse que eu convoquei uma reunião com todos os contemplados para comemorar a conquista. Só que, por um erro meu, eu não consultei as regras da PerkinElmer [empresa do mesmo grupo] sobre o assunto e descobri tarde demais que seguir com o prometido seria um desvio na política da empresa.

Tive que convocar uma nova reunião com a equipe e dar as más notícias. E a forma como escolho fazer isso tem sido a mesma com que gostaria de recebê-las: com transparência e um pedido de desculpas quando o erro parte da liderança. Isso não evita que as pessoas fiquem frustradas, não se trata disso, mas faz com que estejam cientes do que, de fato, aconteceu. E é assim que relacionamentos duradouros são construídos, com confiança.

Meu aprendizado nesse episódio foi justamente o de evitar compartilhar novidades até que elas se concretizem, sob o risco de precisar desmenti-las no meio do caminho. Para nunca mais me esquecer disso, recorro a uma frase fácil de guardar: não tome decisões quando estiver muito triste, nem faça promessas quando estiver muito feliz.

Notícias ótimas são incríveis e todo mundo quer ser seu porta-voz, mas a notícia ruim é que confirma o valor da liderança. Ser verdadeiro e ter o propósito compartilhado me ajudou a superar o episódio dos carros, mas essas são medidas que eu busco seguir diariamente, com consistência. Até mesmo em outro momento-chave - e difícil - da gestão de pessoas: a demissão.

Desconheço quem não se comova ao demitir um funcionário, pois o líder sabe o impacto que isso traz para a vida de quem será desligado. Então, usar a transparência é ainda mais importante para comunicar a decisão sem rodeios, afinal, não é mais hora de dar feedbacks. Mas nem sempre esse passo a passo é simples de ser seguido. Eu já caí na pegadinha de discutir os motivos pelos quais eu acreditava que o empregado X não devia trabalhar na empresa Y e me vi em um debate estressante, que deveria ter sido uma reunião de comunicação e empatia, apenas.

Hoje, mais uma preocupação se soma a esse momento tão delicado da gestão de pessoas: quando é preciso demitir remotamente, por trás de uma tela. Como você acha que reuniões como essa devem ser conduzidas por meio de videochamada? Enquanto ainda não há uma etiqueta definida, convido você a trocar ideias e experiências nos comentários. 

*Marcos Philippsen é country lead na EUROIMMUN Brasil, empresa de diagnóstico in vitro que une o saber científico, a excelência e o comprometimento com a vida para acelerar os avanços da medicina diagnóstica e, assim, construir uma sociedade mais saudável para todos 

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