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ELISA e Blot: entenda como agem os testes diagnósticos para lúpus

10/09/2021 - por equipe EUROHub, hub de geração e disseminação do saber científico da EUROIMMUN Brasil

Lady Gaga, Selena Gomez, Astrid Fontenelle, Kim Kardashian e Toni Braxton têm algo em comum além do fato de serem mulheres bem-sucedidas em suas profissões: todas foram diagnosticadas com lúpus. A doença, que é autoimune e sistêmica, costuma ser mais incidente em jovens, especialmente em mulheres na idade fértil. Mas o fato de ter sintomas inespecíficos dificulta o diagnóstico, fazendo com que, em alguns casos, seja necessária até mesmo uma hospitalização. Nessa hora, os sinais se agravam rapidamente e o tempo de ação dos médicos reumatologistas se torna curto. Por isso, testes diagnósticos com alta sensibilidade e especificidade para a detecção de autoanticorpos são fundamentais para a confirmação do quadro clínico e o início rápido do tratamento. 

“Há duas formas de lúpus: a cutânea, na qual um dos sintomas mais característicos é o aparecimento de uma mancha bastante específica no rosto das pacientes, em formato de borboleta, sobre as bochechas e a ponta do nariz, e o lúpus eritematoso sistêmico (LES), uma forma muito mais grave, pois acomete diferentes regiões do organismo, especialmente o sistema renal e respiratório, provocando quadros severos como a nefrite lúpica”, explica Letícia D'Argenio Garcia, biomédica, doutora em ciências da saúde e especialista em pesquisa e treinamento da EUROIMMUN Brasil.

No mundo todo há 5 milhões de pacientes diagnosticados com lúpus, sendo que 90% deles são mulheres. Já no Brasil, estima-se que 65 mil pessoas convivam com a doença, o que representa uma mulher diagnosticada a cada 1.700. Portanto, o lúpus está longe de ser uma doença rara. Só que a ciência ainda não conhece todos os mecanismos envolvidos na patologia e nem sabe bem qual é o gatilho para as crises.  “Isso faz com que a doença seja bastante severa em alguns pacientes, ou tenha um curso mais brando em outros”, revela a biomédica. 

Entre 15 e 19 anos costuma acontecer o primeiro pico de atividade da doença, justamente uma época em que ocorre um grande desbalanço hormonal na mulher. Mas o lúpus pode se manifestar em qualquer idade, como reforça Letícia: “a medicina desconhece qual é o exato gatilho, mas, além da questão hormonal, parece haver um componente genético importante.” 

Nessa hora, sintomas aleatórios e muito genéricos costumam aparecer, como dores musculares e nas articulações, anemia, diminuição de plaquetas no sangue e úlceras na boca, algo que dificulta a busca pelo especialista correto para o diagnóstico: o médico reumatologista. “É bem comum o paciente tentar tratar os sintomas e consultar várias especialidades diferentes antes de finalmente chegar ao reumatologista com o quadro já avançado”, confirma a especialista. 

Mesmo com toda a variedade da sintomatologia clínica, o lúpus é classicamente uma doença autoimune sistêmica. Por isso, é possível detalhar e reconhecer seus autoanticorpos por meio de testes diagnósticos. “O Colégio Americano de Reumatologia definiu alguns critérios de imunologia laboratorial para o diagnóstico de lúpus levando em conta as alterações do sistema imune que são mais prevalentes. Assim, para confirmar o lúpus, o paciente deve ter pelo menos um resultado do exame de fator anti-núcleo (FAN) positivo, pois a doença reage contra proteínas do núcleo celular, atacando estruturas como DNA e RNA. Depois, ele pode apresentar mais comumente ou um teste de anticorpos anti-DNA de cadeia dupla (anti-dsDNA) positivo, ou um anti-Sm, ou anticorpos antifosfolípides positivos, além de ter queda de complemento, com C3, C4 ou CH50 alterados. Por fim, alguns pacientes costumam apresentar teste de coombs positivo”, lista Letícia. 

O teste diagnóstico FAN é o primeiro a ser pedido pelo médico em caso de suspeita de lúpus, mas seu resultado não indica qual autoanticorpo está agindo. “O FAN mostra apenas um padrão de fluorescência que a célula expressa quando a amostra do paciente é testada e, por isso, é considerado um teste de triagem, já que aponta se o autoanticorpo em questão é de núcleo ou citoplasma, por exemplo”, explica a biomédica. 

Embora seja o padrão-ouro para o início da investigação laboratorial, o exame sozinho não é suficiente para fechar o diagnóstico em si. Ainda é preciso buscar outro teste diagnóstico confirmatório. E a depender do resultado do FAN, é a vez de solicitar o teste ENA. “Se o paciente possui uma clínica muito sugestiva de lúpus e o resultado de seu exame FAN não mostra um padrão  definido, o kit anti-ENA POOL PLUS ELISA (IgG) pode ser usado como uma nova triagem para ajudar a identificar qual autoanticorpo específico está ligado ao quadro”, recomenda Leticia. 

A metodologia ELISA do teste, além de mais rápida e sensível, permite uma busca qualitativa ou semiquantitativa de mais de um autoanticorpo para o lúpus, em um único ensaio. “Assim, ao invés de fazer testes isolados para cada possível antígeno, que são testes com alta probabilidade de retornar negativos, é possível fazer o pool com custo menor, em uma triagem que reúne no mesmo poço do ELISA antígenos para RNP/Sm, Sm, SS-A, SS-B, Scl-70 e Jo-1”, sugere Letícia, lembrando que o anti-ENA POOL PLUS ELISA (IgG) utiliza antígenos purificados, o que garante alta sensibilidade ao teste diagnóstico, mesmo se tratando de um painel. 

Depois, a depender do resultado do ELISA, é indicado abrir o teste e descobrir para qual autoanticorpo o paciente é positivo. O kit Perfil ANA 3 EUROLine utiliza o método imunoblot exclusivo da EUROIMMUN, para identificar anticorpos antinucleares (ANA). “Nesse caso, como cada chip do Blot tem um tipo de antígeno separado, dá para finalmente saber qual autoanticorpo o paciente tem, entre eles nRNP/Sm, Sm, SS-A, Ro-52, SS-B, Scl-70, PM-Scl, Jo-1, CENP B, PCNA, dsDNA, nucleossomas, histonas, proteína P-ribossomal e AMA M2. O Blot, nesse caso, é um teste altamente específico”, confirma Letícia.

Saber exatamente qual é o autoanticorpo que o paciente tem é importante para o diagnóstico diferencial do lúpus, já que outras doenças reumáticas sistêmicas podem provocar sintomas parecidos. Aliás, como os antígenos presentes no kit diagnóstico ANTI-ENA POOL PLUS ELISA (IgG) são ligados a diversas doenças, a combinação do resultado pode tanto indicar o diagnóstico de lúpus ou de outra patologia reumática. Por isso, também, o teste é considerado uma importante ferramenta de triagem, com a vantagem de ser um exame totalmente automatizado, o que deixa a rotina laboratorial mais fácil e mais rápida.  E, tempo, como já vimos, é fundamental para que os pacientes com lúpus recebam logo seus tratamentos. 

Leia também:

Produtos reumatologia - EUROIMMUN

Lúpus eritematoso sistêmico - Sociedade Brasileira de Reumatologia

2019 European League Against Rheumatism/American College of Rheumatology Classification Criteria for Systemic Lupus Erythematosus

 

 

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