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Teste ELISA detecta anticorpos neutralizantes e confirma proteção contra o SARS-CoV-2

05/10/2021 - por equipe EUROHub, hub de geração e disseminação do saber científico da EUROIMMUN Brasil

O que torna um organismo protegido contra a COVID-19? Enquanto a ciência segue investigando todos os mecanismos de ação do SARS-CoV-2 para encontrar a melhor resposta a essa pergunta, a medicina diagnóstica investe no desenvolvimento de kits cada vez mais sensíveis para a identificação de anticorpos neutralizantes, ou seja, aqueles que são mesmo capazes de neutralizar a ação do vírus ao bloquearem sua entrada nas células saudáveis. 

Hoje já se sabe que a presença desse tipo de anticorpo, especialmente após a vacinação, elucida sobre a proteção do imunizante no indivíduo. “O kit diagnóstico anti-SARS-CoV-2 QuantiVac, por exemplo, tem a função de quantificar os anticorpos IgG anti-S1 e, com isso, fornece uma informação fundamental para medir a resposta vacinal do organismo”, explica o Dr. Michel Soane, gerente sênior de scientific affairs da EUROIMMUN Brasil. Mas, embora esse teste tenha uma alta correlação com a detecção de anticorpos neutralizantes, chegando a ficar acima de 98%, essa não é a sua função principal. Existem exames mais específicos para isso, como o novo NeutraLISA.

Até então, a única maneira de detectar os anticorpos neutralizantes era por meio da soroneutralização, uma técnica conhecida pela sigla PRNT. “Nesse tipo de exame, é preciso cultivar o vírus em laboratório, adicionar a amostra do paciente e fazer uma diluição seriada”, resume Soane, chamando atenção para o potencial risco de manter vivo no laboratório um vírus respiratório de alto contágio e que causa uma doença severa, como é o SARS-Cov-2. 

A replicação viral em laboratório necessária para esse tipo de exame é tão exacerbada que acaba sendo uma ação potencialmente perigosa até para quem manipula o teste. “A técnica PRNT é uma simulação real, in vitro, muito eficiente para detectar a quantidade de anticorpos neutralizantes porque, ao adicionar o vírus na amostra do paciente, realmente temos a quantidade de anticorpos que neutralizam - ou não - a replicação viral. Só que o ambiente laboratorial necessário para essa manipulação precisa ter um nível de biossegurança 3, o chamado NB3”, explica Soane. 

NB3 é o maior nível de biossegurança existente hoje no Brasil - o máximo no mundo é o nível 4 - e, por causa disso, a classificação costuma ser dado a laboratórios de pesquisa nacionais que seguem protocolos rígidos de controle para executar esse tipo de exame. Entre eles, é preciso ter cabines de fluxo laminar, fazer a troca de ar do ambiente a cada dois minutos, capacitar as equipes para o NB3, manter critérios elevados de entrada e saída do local... Bem, já deu para perceber o quão difícil é realizar testes PRNT em grandes quantidades, como seria o ideal em meio a uma pandemia.

É nesse cenário que o NeutraLISA pode ajudar. Esse novo teste ELISA também é capaz de  identificar anticorpos neutralizantes na amostra de soro do paciente, mas usando a metodologia ELISA para simular a ligação entre vírus e anticorpos neutralizantes sem que seja preciso cultivar o patógeno in vitro e, portanto, podendo ser realizado em laboratórios com menor nível de biossegurança. 

O teste ELISA permite uma menor manipulação do material, o que também diminui o tempo de processamento. Se com o PRNT eram necessários no mínimo dois dias para a realização do teste, com o NeutraLISA o resultado é liberado em duas horas, tanto para avaliar uma resposta vacinal quanto para medir um bom prognóstico do paciente. 

E como esse novo teste ELISA indireto funciona na prática? O fundo da placa está sensibilizado com o antígeno, que é uma porção do RBD do SARS-CoV-2 e, se a amostra tiver anticorpos neutralizantes, eles vão se ligar a esses antígenos.  Além disso, há uma outra molécula marcada por biotina que é similar ao ACE2, justamente o ponto onde o vírus se liga à célula saudável. “Se o paciente tiver anticorpos neutralizantes, são eles que vão se ligar aos antígenos presentes no fundo da placa do NeutraLISA, impedindo que as moléculas marcadas similares ao ACE2 ocupem esse mesmo espaço. E, claro, quando não há anticorpos neutralizantes, as moléculas marcadas é que se ligam aos antígenos sendo reveladas em cor ao final do teste”, explica Soane descrevendo um ensaio de competição.

A coloração final do teste também pode ajudar a mostrar uma proporção da quantidade de anticorpos neutralizantes presentes na amostra, um resultado muito similar ao que é revelado nos exames de PRNT. Ao comparar o novo teste ELISA com outros kits já usados em laboratório, Michel Soane resume cada benefício: “O NeutraLISA é um kit um pouco diferente do QuantiVac.  Enquanto esse último detecta e quantifica os anticorpos anti-S1 que podem, ou não, ser neutralizantes – embora tenham uma boa correlação devido a detecção da spike, - o NeutraLISA só detecta os anticorpos neutralizantes da amostra.” 

Existe um momento certo de fazer um teste como esse. “Para o diagnóstico da COVID-19,  é preconizado que a medição de anticorpos IgG seja feita sete dias após o aparecimento dos sintomas. Já para medir a resposta vacinal, é preciso esperar mais tempo. Depois de receber a segunda dose da vacina, ainda é preciso aguardar 28 dias para realizar o exame. A espera é importante para o organismo produzir anticorpos e estabilizar essa quantidade circulante”.

Uma dúvida importante atualmente é em relação às variantes do SARS-CoV-2 que estão surgindo. O especialista aproveita para esclarecer que “como as mutações ainda usam os mesmos epítopos de ligação com a célula, podemos afirmar que, hoje, os kits diagnósticos da EUROIMMUN Brasil não terão falha por conta disso.” Durante o curso da pandemia, claro, caso haja um acúmulo de mutações na região de ligação viral e consequente alteração da conformação dos anticorpos, os kits também serão novamente desenvolvidos para acompanhar a especificidade e sensibilidade alterada.

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