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Medicina diagnóstica como aliada no tratamento de distúrbios hormonais ao longo da vida

16/12/2021 - Por Camila Pagano*, médica endocrinologista da Safira Clínica Integrada (Jacareí/SP)

 

Antes de começar a nossa conversa, quero logo esclarecer: os hormônios sexuais masculinos e femininos, ao contrário do que o nome nos faz pensar, não estão relacionados apenas à reprodução. Eles também regem inúmeras funções do corpo humano e, por isso, a medicina diagnóstica pode ser tornar uma aliada importante na identificação e no acompanhamento das alterações hormonais que acometem tanto o sistema genital quanto outros órgãos importantes.

Mas nem todos os médicos estão familiarizados em solicitar os exames de dosagens dos hormônios sexuais como LH, FSH, estradiol para as mulheres e testosterona para os homens,  além da prolactina para ambos. E é importante reforçar que esses testes, quando solicitados após uma avaliação clínica detalhada com anamnese e exame físico, podem ajudar na confirmação precoce da hipótese diagnóstica que está sendo investigada.

Vou dar alguns exemplos. Em casos onde há virilização na mulher (excesso de pelos e acne), pode ser útil solicitar a dosagem de hormônios androgênicos, como testosterona e androstenediona. Já para os homens, quando há um resultado de testosterona baixa, deve- se solicitar também a dosagem da prolactina para compreender melhor a possível causa para esses números fora da normalidade. Além disso, há certas alterações hormonais que afetam a eles e a elas ao longo da vida, e existem épocas mais propícias para isso acontecer, como veremos a seguir.

“É importante que todas as pessoas, homens e mulheres, façam um acompanhamento hormonal e procurem o endocrinologista para passar por uma avaliação e um exame físico. Depois disso, o médico saberá a necessidade de dosar os hormônios certos em cada caso, de acordo com a clínica”

Camila Pagano*, médica endocrinologista da Safira Clínica Integrada (Jacareí/SP)

Mulheres de fases

Nelas, os altos e baixos hormonais são mais comumente notados e relacionados com momentos da vida. A primeira alteração hormonal acontece na puberdade, quando ela deixa de ser uma criança para se tornar uma mulher. Há um aumento do hormônio estrogênio e, posteriormente, da progesterona. É nesse momento que mudanças no corpo são notadas, como o aumento das mamas, a nova distribuição da gordura corporal, o aparecimento de pêlos e acne na pele, até que o início da menstruação provoca os sintomas de TPM [tensão pré-menstrual].

 Aliás, essas alterações hormonais que acontecem na TPM podem causar vários sintomas físicos e/ou psicológicos. No primeiro caso, é comum haver aumento das mamas e uma maior sensibilidade nelas, cólicas e cefaleia. Já entre os sintomas emocionais, a mulher costuma ter nervosismo, ansiedade, irritabilidade e a autoestima pode ficar mais baixa neste período. Também há relatos de mudanças nos padrões de sono e tudo isso junto pode resultar em conflitos familiares decorrentes dessas alterações hormonais que ocorrem mensalmente na mulher.

A gravidez é outra fase em que as alterações hormonais são importantes, com a quantidade de progesterona e estrogênio aumentando bastante durante a gestação para que, após o nascimento do bebê, haja uma queda brusca desses hormônios. É por isso também que algumas mulheres podem vivenciar um quadro conhecido como depressão pós-parto. Ocorre também nesse momento o aumento da prolactina, o hormônio necessário para a amamentação e, com isso, há uma queda nas taxas dos hormônios femininos, o que costuma resultar em diminuição da libido nas mulheres e também uma tendência maior à depressão.

 Por fim, mais uma etapa impactante para a saúde hormonal da mulher é a menopausa.  Nesse momento, os hormônios femininos despencam, mas o diagnóstico definitivo só se dá após um ano com ausência total da menstruação. O resultado em sintomas é muito parecido com as outras oscilações ao longo da vida: alterações de sono, irritabilidade, ressecamento de mucosas (como a vaginal) e a libido é bem diminuída. Alguns anos adiante, a falta dos hormônios pode levar a quadros como doenças cardiovasculares e osteoporose, já que eles são protetivos do coração e dos ossos. Quando não há nenhuma contraindicação importante, a reposição hormonal é recomendada para que a mulher não passe por tudo isso tão precocemente. Especialmente porque hoje em dia a mulher de 50 anos não é a mesma de algumas décadas atrás. 

Assista ao vídeo: Viagem ao centro da célula em: ELISA de competição, um método eficaz de dosagem hormonal

E nos homens?

Para eles, a experiência da puberdade, com o aumento da testosterona, é a primeira experiência hormonal marcante. Eles sentem o aparecimento de acne na pele, de pêlos pelo corpo e o engrossamento da voz . 

Mas, passada essa fase, eles vão sentir novamente os impactos da balança hormonal apenas na chamada andropausa, um período que não tem uma idade definida para acontecer, mas que provoca uma queda brusca da testosterona e evolui com fadiga, cansaço, diminuição de libido e disfunção erétil. Como parâmetro, esses sintomas costumam aparecer por volta dos 50 anos de idade.  

Desbalanços hormonais patológicos que convém investigar:

 

Os tratamentos para desequilíbrios hormonais são iniciados apenas após a identificação da causa do problema, e, se houver necessidade, a reposição hormonal é indicada.

A medicina diagnóstica, por meio de exames laboratoriais e/ou de imagem, associada a avaliação clínica é peça importante para a confirmação do desbalanço hormonal. Mas hoje, nem todos os kits diagnósticos possuem uma boa sensibilidade para a dosagem dos hormônios e um exemplo clássico disso é o exame que mede a testosterona na mulher.

Tem sido cada vez mais frequente a solicitação de avaliação de testosterona em mulheres, para saber se o hormônio está baixo demais, e alguns kits não têm sensibilidade para identificar a testosterona baixa na mulher, apenas revela quando está alta. Em tempo, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) não indica a dosagem de testosterona para saber se está baixa, nem mesmo quando há suspeita da chamada síndrome de desejo sexual hipoativo na mulher que está na menopausa. Nesse caso, a avaliação clínica dessa paciente, com o preenchimento de formulários próprios para a detecção da doença, é sempre soberana.  

Durante a pandemia, algumas mudanças de hábitos alimentares e a falta de atividade física tiveram impacto direto na saúde hormonal. Portanto, agora é hora de retomar o acompanhamento médico para voltar a fazer os exames necessários para manter tudo em perfeito balanço. 

*Depoimento de Camila Pagano concedido à jornalista Renata Armas, da agência essense. 

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