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HPV: as diferenças entre diagnósticos clínico e molecular

26/05/2022 - por equipe EUROHub, centro de geração e disseminação do saber científico da EUROIMMUN Brasil

O teste de Papanicolaou foi uma inovação genial à sua época. Desde a década de 1940, quando a técnica para análise e identificação de alterações celulares suspeitas de malignidade e cancerígenas em microscópio foi descoberta por Georgius Nicholas Papanicolaou, o exame passou a ser ovacionado como o grande herói do rastreamento do câncer de colo do útero do século XX. E fez jus à fama: a citologia cervical de fato ajudou milhares de mulheres a identificar precocemente lesões malignas causadas por infecções persistentes do vírus HPV.

Mas a ciência evoluiu. E o teste de Papanicolaou, embora permaneça sendo um exame ginecológico importante, deixa a desejar em termos de sensibilidade em seu resultado, o que compromete sua função para o rastreamento do câncer do colo do útero, uma doença que ainda soma 600 mil novos casos a cada ano no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde de 2020. 

Prevenir não é rastrear

“A grande questão é que a citologia, por essência, não deve ser usada para rastreamento de uma doença e, sim, para o seu diagnóstico primário. Porque esse tipo de exame identifica apenas a presença de uma lesão já existente para que a paciente possa ser encaminhada ao tratamento adequado”, justifica Marco Antônio Zonta, diretor científico da Inside Health Group e pesquisador-associado do Instituto Butantan.

Hoje, são os testes que usam a metodologia de biologia molecular que melhor conseguem realizar o rastreamento preventivo do câncer de colo de útero por meio da detecção do vírus HPV. E fazem isso identificando pacientes com risco real de desenvolverem uma lesão neoplásica, antes mesmo que suas células estejam alteradas. O problema: antes, tais exames eram de alto custo e não oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Só que algo mudou nos últimos anos por causa da pandemia, como explica Zonta: “Exames que incluem a técnica de PCR, usada na metodologia de biologia molecular, se popularizaram por causa do coronavírus e, agora, todo mundo conhece esse teste, reconhece a sua precisão de resultado e entende o momento em que deve ser realizado.”

Resultado preciso

No caso específico do HPV, que é um vírus que habita mucosas da cavidade oral, anal e do colo uterino, a descoberta de sua relação causal com o câncer cervical - feito que rendeu prêmio Nobel ao fisiopatologista alemão Harald zur Hausen - deu à medicina um alvo concreto para combater, tratar ou prevenir.


“A biologia molecular é hoje a ferramenta de maior precisão diagnóstica para identificar o HPV, que é o agente causal do câncer de colo do útero”

Marco Antônio Zonta, diretor científico da Inside Health Group


Por isso, há pouco mais de cinco anos, as diretrizes americanas e europeias para o rastreamento do câncer de colo de útero mudaram, e agora recomendam o teste molecular para a identificação do DNA do vírus HPV ao invés do exame de Papanicolaou: “O teste molecular passou a ser o exame de rastreamento e a citologia, uma espécie de coteste para identificar lesões em pacientes que apresentem teste molecular positivo para o vírus de alto risco”, explica Zonta.

Os guidelines internacionais para o rastreamento do câncer de colo de útero indicam que os testes moleculares sejam repetidos por dois anos na mulher e, depois de resultados negativos sequenciais, voltem a ser feitos a cada cinco anos. A citologia cervical, por sua vez, que tem sido feita anualmente no Brasil, tem a indicação de um intervalo de três anos para resultados negativos.

É preciso que fique claro nessa decisão que uma coisa é a paciente ter o HPV e outra é este vírus estar causando uma lesão potencialmente cancerígena: “E tanto a latência quanto a doença devem ser investigadas e acompanhadas de perto pelo médico”, recomenda o especialista.

Lutar por acesso

Se o melhor rastreamento ao câncer de colo de útero ocorre pelo exame de biologia molecular, o acesso a ele precisar ser facilitado. Zonta, que participou do EUROGIN 2022, conta que essas discussões estão em alta nos países europeus e nos EUA: “Tem se falado muito sobre autocoleta, uma solução que certamente seria uma boa opção, visto o Brasil ser um país continental e de difícil acesso ao serviço de saúde”, ele destaca.

Em tempo, para o rastreamento de câncer de colo do útero, a amostra-padrão é secreção vaginal e, por autocoleta, ainda não é regulamentada pela Anvisa. 

Por aqui, esse tipo de exame de biologia molecular integra o rol de procedimentos obrigatórios da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mas não está disponível no SUS para o rastreamento do câncer.


“A curto prazo, se houver uma conscientização de todos de que é preciso
vacinar os jovens brasileiros contra o HPV, eu acredito que veremos o índice de novos casos de câncer de colo de útero cair para próximo de zero já em 2030 ”

 

 

Marco Antônio Zonta, diretor científico e P&D da Inside Health Group

O exame na prática

O exame EUROArray HPV, da EUROIMMUN, usa a metodologia da biologia molecular por microarray, detectando e identificando 30 tipos de HPV, sendo 18 deles de alto risco oncogênico clinicamente relevantes com maior sensibilidade. Isso significa que, mesmo em pequenas quantidades virais presentes em uma amostra, o teste é capaz de identificar o DNA de um tipo específico presente. E isso é extremamente importante porque o grau de malignidade da doença está diretamente ligada ao tipo de vírus de alto risco presente no organismo na mulher.

“Tanto que os exames de captura híbrida que começaram a ser usados há cerca de 20 anos não são mais recomendados ao rastreamento, nem para acompanhar pacientes que receberam a vacina contra o HPV, uma vez que o seu resultado apenas aponta a presença - ou não - de grupos de vírus”, explica o especialista. 

O EUROArray HPV também tem o diferencial de analisar as oncoproteínas presentes no Papilomavírus humano (E6 e E7), responsáveis pela integração entre material genético do vírus e da célula. “E o kit da EUROIMMUN tem justamente a capacidade de identificar esse RNA mensageiro. Já outros testes de biologia molecular mais convencionais, como PCR, dizem apenas se há ou não um vírus de alto risco presente, sem informar se ele está integrado à célula ou não”, resume Zonta. “Nesse sentido, a metilação dos genes é a maior novidade, pois também é capaz de afirmar em que momento essa integração entre vírus e célula acontece.”

Todas essas técnicas já estão disponíveis no Brasil, mas seu uso clínico em larga escala ainda está longe de ser alcançado. Entre os motivos, está a falta de políticas de rastreamento do câncer cervical pela genotipagem de HPV, que impede a notificação precisa dos casos para o acompanhamento preventivo do câncer de colo de útero, e a falta de informação, tanto entre médicos clínicos quanto entre pacientes, que desconhecem a tecnologia que poderia ser usada para impedir o adoecimento de muitas mulheres.

Leia também:

EUROArray HPV, da EUROIMMUN

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