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E se Elon Musk fosse meu colega de trabalho?

09/06/2022 - Por Marcos Philippsen*

Elon Musk está em todas, literalmente. Nos últimos dias, bastava abrir um jornal, um site de notícias ou, claro, a rede social que ele acabou de comprar (ou não!), para dar logo de cara com sua marca de liderança e suas opiniões polêmicas.

Musk é extravagante. Digo isso no sentido de ter criado uma fortuna e de se permitir tomar decisões de proporções colossais - ou, simplesmente, malucas, como alguns costumam rotular. Fico pensando sobre como seria ouvi-lo, no dia a dia, e saber como ele toma decisões, seja na sua vida pessoal ou profissional.

Acredito que todos nós já tenhamos trabalhado com alguém extravagante, em certo momento, e tenho certeza de que foi preciso se adaptar. Eu já tive essa experiência e, nos últimos dias, me recordei sobre como reagi, naquela época, e como poderia ter atuado para gerar resultados diferentes. Essa reflexão exigiu humanizar a figura midiática e exótica para, então, reconhecer todos os “Elon Musks” que trabalharam comigo. E encontrei - talvez até mais momentos “Elon Musk” do que pessoas parecidas com ele em si. 

Um desses momentos culminou em uma transformação de modelo de negócios na medicina diagnóstica. O ano era 2008 e a Siemens - empresa na qual eu trabalhava - queria expandir negócios com esteiras para a área de automação total de laboratórios. Hoje, este parecer ser um produto comum em grandes laboratórios, mas, na época, era algo realmente inovador e nenhuma empresa tinha nada parecido no Brasil. Também não era comum pagar por produtos como esse. Na verdade, o mercado usava (e ainda usa na maioria dos casos) a prática do comodato, tipo de um empréstimo gratuito. Nem mesmo a matriz da organização cotava ter sucesso nas vendas por aqui.

Só que aí três caras que eu considero geniais entraram em cena: Nivio Gonzaga, Paulo Gabrielli e Diogo Oliveira. Eles foram escolhidos para serem os vendedores do projeto - e mandaram bem demais, acima das expectativas de qualquer um. A mim, coube o papel de ajudá-los na precificação, estratégia e execução, já que eu era o gerente de produtos.

Ao final de dois anos de projeto, tente adivinhar quantas esteiras foram vendidas? Catorze. É muita coisa. Especialmente em um mercado onde antes só se instalava máquinas de graça nos laboratórios. Claro que o projeto foi um sucesso tremendo - um legítimo momento Elon Musk. Essa experiência molda como é decidido até hoje o mercado nacional de alto volume diagnóstico, que continuam a ser prioritariamente por esteira. Essa experiência foi tão importante que, a partir dela, o mercado nacional de medicina diagnóstica de alto volume mudou - a produção passou a ser feita em esteiras.

Mas Elon Musk não vive só de glórias, isso é fato. E eu também já desempenhei um papel pelo qual ele é conhecido: o protagonista tempestivo.  Foi em 2005, enquanto eu atuava na Roche atendendo o Grupo Fleury. O cliente precisava de uma análise específica com certa urgência que deveria ser produzida pela nossa área de serviços, mas, embora eu cobrasse o pessoal desses dados, eles nunca vieram. E, daí, do alto da minha senioridade de 25 anos de idade, o que eu fiz? Eu mesmo preparei e mandei o material diretamente para eles… pois é, qualquer semelhança com essa individualidade onipresente de que estamos falando não é coincidência.

Claro que a Lorice Scalise, minha chefe na época, logo me chamou e acertadamente repreendeu a atitude. Ninguém pode nem deve fazer isso, pois - como eu aprendi na prática - o custo negativo que uma atitude individualista gera no trabalho e na equipe é alto demais. Até hoje eu me lembro desse episódio e reconheço o quanto errei ao tentar ser genial. Esse momento destruiu pontes que, no futuro, seriam importantes para mim, e talvez por isso eu quis contar essa história.

Agora, analisando tais episódios como um observador da minha própria vida, meu conselho é: escolha projetos dentro da sua empresa em que você possa brilhar. E faça uma mescla inteligente: em alguns deles tenha certeza de que está rodeado por pessoas feras naquilo que fazem; mas também seja bondoso para apoiar aqueles que estão começando na carreira em outros projetos, pois só assim dá para você dividir seu conhecimento. É, talvez essa conduta não seja inspirada em Elon Musk.

Quero terminar esse papo convidando você a pensar junto comigo sobre como é possível reproduzir esses momentos de brilho - os tais momentos “Elon Musks” - nas empresas.  Reflita sobre algum episódio que você tenha vivenciado e me conte aqui nos comentários as lições que, na talvez, possam ser reproduzidas.

*Marcos Philippsen é country lead na EUROIMMUN Brasil, empresa de diagnóstico in vitro que une o saber científico, a excelência e o comprometimento com a vida para acelerar os avanços da medicina diagnóstica e, assim, construir uma sociedade mais saudável para todos.

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