Blog

No Blog da EUROIMMUN, você fica informado sobre tudo relacionado a diagnóstico médico: Notícias, Entrevistas, Eventos, Lançamentos de Produtos e muito mais...

Descoberta do PLA2R como antígeno-alvo da nefropatia membranosa permite diagnóstico de doença autoimune

21/07/2022 - por equipe EUROHub, centro de geração e disseminação do saber científico da EUROIMMUN Brasil

 

A nefropatia membranosa, também conhecida como glomerulonefrite membranosa, é uma doença renal que provoca danos importantes na função do órgão, podendo até resultar em uma insuficiência ou na doença renal em estágio final. Tudo porque ela atinge diretamente a membrana basal dos rins, a área responsável por filtrar o sangue, permitindo que proteínas e outros componentes que deveriam ser barrados por esse filtro o ultrapassem e sejam, assim, eliminados em altas quantidades por meio da urina.

Por isso, um dos primeiros sinais que podem levar o médico a desconfiar do quadro é a proteinúria, com níveis de proteína acima de 3,5 gramas/dia já indicando uma condição avançada da doença.

A incidência de nefropatia membranosa no mundo é de 8-10 pessoas por milhão, mas não é incomum a doença evoluir para a síndrome nefrótica em adultos, uma condição que provoca perdas de proteínas pela urina acima de 10 gramas/dia e que pode resultar em insuficiência renal. Cerca de 20% dos pacientes que chegam a esse diagnóstico descobrem que a causa é justamente a nefropatia membranosa, mais especificamente a de causa primária. 

“A doença autoimune também é particularmente importante em casos de transplante renal. Estima-se que ela recorra em aproximadamente 40% dos casos, e cerca de 45% deles vão acabar perdendo o enxerto por causa disso”, relata Letícia D'Argenio Garcia, biomédica, doutora em Ciências da Saúde e especialista em pesquisa e treinamento da EUROIMMUN Brasil.

Nefropatia membranosa primária ou secundária

A doença costuma afetar pessoas mais jovens, sendo que o pico de incidência acontece entre 30 e 50 anos de idade, principalmente em homens - uma proporção de três pacientes do sexo masculino diagnosticados para cada mulher acometida.

A distinção entre a doença primária e secundária, no entanto, é recente. “Antigamente, se a doença não fosse resultado direto de outras condições de saúde, especialmente de origem infecciosa ou pelo uso excessivo de certos medicamentos, a nefrite membranosa era considerada idiopática”, conta Letícia.

Foi com o estudo aprofundado desses casos que a ciência chegou à conclusão de que a doença autoimune também era uma possibilidade. Daí, fez-se a distinção entre nefropatia membranosa primária e, portanto, autoimune, que corresponde a 80% dos casos, e a de causa secundária. “Com essa divisão, a importância do diagnóstico correto ficou ainda mais evidente. Afinal, o tratamento muda completamente em casos de doença autoimune ou naquela provocada por uma infecção, por exemplo. Com a causa conhecida, é possível direcionar o paciente para o melhor tratamento, como a imunoterapia, que tem uma boa resposta no caso da doença autoimune, diminuindo os autoanticorpos e até mesmo retornando com parte da função renal perdida”, reforça a PhD.

Como diagnosticar?

Classicamente, o exame realizado para o diagnóstico da doença era feito por histologia, através da biópsia do tecido renal, uma amostra nada simples de se conseguir, já que exige a internação do paciente para o procedimento. “Mas o exame em si só mostrava o dano já causado na célula do paciente, sem identificar o antígeno-alvo”, explica Letícia.

Com a descoberta de que o PLA2R era o antígeno-alvo da nefropatia membranosa autoimune, isso mudou. “De 2009, quando foi publicado o primeiro paper sobre esse achado que identificava o receptor de fosfolipase A2 como antígeno máximo dos autoanticorpos, até o desenvolvimento de kits diagnósticos para sua identificação laboratorial, tudo aconteceu muito rápido em termos de ciência”, conta a PhD. 

As placas de ELISA do teste de soro para anticorpos anti-PLA2R usam o antígeno recombinante criado em laboratório e expressado em células humanas e, dessa forma, são capazes de se tornarem os alvos específicos dos autoanticorpos relacionados à doença.

 

Cerca de oito em cada dez pacientes com a doença primária possuem anticorpos anti-receptores de fosfolipase A2. Dessa forma, o diagnóstico desse tipo de nefropatia membranosa ficou mais fácil e bastante seguro. 

 

Confira a seguir:

Mitos e verdades sobre o kit diagnóstico Anti-PLA2R ELISA

Leia também:

Kit Anti-PLA2R ELISA - EUROIMMUN

Aplicabilidade clínica do anticorpo Anti-PLA2R no manejo da nefropatia membranosa primária: uma revisão da literatura - Revista Científica Integrada

Método de imunofluorescência indireta apoia detecção de doença autoimune que afeta os rins

 

  • Linkedin
  • Pinterest
  • Email