A queda nas coberturas vacinais tem ampliado o risco de surtos de doenças como sarampo e coqueluche, reforçando a importância da vigilância e do diagnóstico laboratorial.
Nas últimas décadas, a vacinação teve papel decisivo na redução da circulação de diversas doenças infecciosas. Ainda assim, quedas na cobertura vacinal, bolsões de não vacinados e a introdução de casos por viagens internacionais mantêm no radar doenças que, embora preveníveis por vacinação, continuam representando risco para a saúde pública.
Entre os exemplos mais relevantes estão o sarampo e a coqueluche. Além do impacto clínico, especialmente em bebês e crianças pequenas, o ressurgimento dessas doenças reforça a necessidade de vigilância contínua e evidencia o papel do diagnóstico laboratorial no apoio à investigação de casos suspeitos, à vigilância epidemiológica e, em alguns parâmetros, à avaliação do estado imunológico individual.
O sarampo permanece entre as doenças infecciosas mais contagiosas, com potencial de causar complicações graves, como pneumonia, encefalite e óbito. Para manter a proteção coletiva, são necessárias coberturas vacinais elevadas. No entanto, dados recentes mostram que esse patamar ainda não foi plenamente alcançado em diferentes regiões. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2024 apenas 76% das crianças receberam as duas doses da vacina contra o sarampo, enquanto cerca de 84% receberam ao menos uma dose até o primeiro ano de vida. A OMS também estimou 10,3 milhões de casos e 107.500 mortes por sarampo no mundo em 2023, principalmente entre crianças não vacinadas ou subvacinadas com menos de cinco anos.
No Brasil, os registros recentes também reforçam a necessidade de atenção. Em 2025, foram confirmados 38 casos de sarampo em diferentes estados. Parte deles esteve associada a viagens internacionais, e outros ocorreram em pessoas sem vacinação ou com esquema vacinal incompleto. Em 2026, novos casos confirmados em São Paulo e no Rio de Janeiro mantiveram o tema em evidência.
A coqueluche segue uma lógica semelhante. Causada pela bactéria Bordetella pertussis, a doença é altamente contagiosa e representa risco importante, sobretudo para lactentes. Em 2024, a OMS registrou 941.582 casos no mundo, número significativamente superior ao observado em 2023 (163.388) e 2022 (64.313). No Brasil, também houve aumento expressivo de casos recentes, reforçando a importância da investigação laboratorial em cenários de suspeita clínica e circulação do agente.

Diante desse cenário, o diagnóstico laboratorial assume um papel estratégico. Em casos agudos, ele pode apoiar a confirmação diagnóstica em conjunto com a avaliação clínica e epidemiológica. Entre os principais recursos estão os métodos de detecção direta do patógeno, como PCR, e os ensaios sorológicos para pesquisa de anticorpos específicos, como IgM e IgG.
Na prática, a sorologia pode contribuir de diferentes formas, a depender do patógeno, do momento da coleta e do objetivo da investigação. A detecção de IgM e/ou a demonstração de aumento significativo do título de IgG podem apoiar a investigação de infecções recentes. Em situações específicas, como infecções do sistema nervoso central, a pesquisa de anticorpos IgG no líquido cefalorraquidiano (LCR) também pode fornecer informações complementares ao diagnóstico.
Além da investigação de casos agudos, a medição sorológica de anticorpos IgG pode, para alguns parâmetros, apoiar a avaliação do estado imunológico individual e atividades de vigilância epidemiológica. É importante destacar que a interpretação dos resultados deve sempre considerar o contexto clínico, epidemiológico e as características de cada ensaio.
Nesse contexto, a Euroimmun oferece um portfólio abrangente de ensaios sorológicos para detecção de anticorpos IgG e IgM contra patógenos associados a doenças preveníveis por vacinação. Os testes apoiam o diagnóstico de casos agudos e, para alguns parâmetros, podem contribuir para a avaliação do status sorológico individual e para ações de vigilância.
O portfólio inclui ensaios ELISA e imunoensaios de quimioluminescência (ChLIA) para uso com soro ou plasma, contemplando parâmetros como sarampo, caxumba, rubéola, varicela, coqueluche, difteria e tétano. Também há ensaios relevantes para necessidades regionais, como encefalite transmitida por carrapatos (TBE), dengue e encefalite japonesa.
Para determinados contextos diagnósticos, a Euroimmun também disponibiliza formatos especiais de ELISA para uso com LCR, o que pode apoiar a investigação de infecções do sistema nervoso central causadas por patógenos neurotrópicos. Outro diferencial está na seleção criteriosa de antígenos, de acordo com a aplicação do ensaio. No caso da coqueluche, por exemplo, os testes podem ser baseados em toxinas específicas de Bordetella pertussis, contribuindo para maior especificidade analítica.
Além disso, os ensaios podem ser integrados a diferentes soluções de automação, favorecendo padronização, eficiência e escalabilidade conforme a demanda do laboratório.
Um destaque importante do Anti-Measles Virus ELISA 2.0 (IgG) da Euroimmun é a possibilidade de utilizar amostras de sangue seco em papel filtro (DBS), além de soro ou plasma, conforme a aplicação do ensaio. Nesse formato, pequenas gotas de sangue capilar são coletadas, depositadas em um cartão de papel e posteriormente enviadas ao laboratório para análise.
A utilização de DBS traz vantagens relevantes, como coleta minimamente invasiva, praticidade logística e boa estabilidade da amostra. Essas características tornam a abordagem especialmente interessante para testes de rotina, estudos populacionais e contextos nos quais a infraestrutura para coleta e transporte convencional é mais limitada.
Em outras palavras, trata-se de um recurso que amplia possibilidades operacionais sem perder de vista a confiabilidade analítica necessária ao laboratório.
O ressurgimento de doenças preveníveis por vacinação reforça que a vigilância em saúde depende de múltiplos pilares. A vacinação continua sendo a principal estratégia de prevenção, mas o diagnóstico laboratorial tem papel essencial para investigar casos suspeitos, apoiar a vigilância epidemiológica e gerar informações úteis para a tomada de decisão.
Para o laboratório, isso significa trabalhar com métodos confiáveis, bem padronizados e adequados às diferentes necessidades da rotina diagnóstica. Em um cenário que exige resposta rápida, qualidade analítica e capacidade de adaptação, contar com um portfólio robusto de ensaios sorológicos pode fazer diferença tanto na investigação clínica quanto nas ações de vigilância.
Referências:
2. WHO: Measles cases surge worldwide, infecting 10.3 million people in 2023
3. Ministério da Saúde – Sarampo – Situação Epidemiológica
4. WHO Immunization Data Global
5. Ministério da Saúde – Coqueluche – Situação Epidemiológica
7. Diagnostics for resurging vaccine-preventable diseases
Olá, sou a Josie,
a nova assistente virtual da
EUROIMMUN Brasil.