O surto internacional envolvendo o vírus Andes reacendeu a atenção para o reconhecimento clínico precoce, a vigilância epidemiológica e o diagnóstico laboratorial confiável da hantavirose.
O hantavírus voltou ao centro das discussões em saúde pública após o cluster de casos associado ao navio de expedição MV Hondius, notificado à Organização Mundial da Saúde (OMS) em maio de 2026. O episódio envolveu passageiros de diferentes nacionalidades, investigação internacional, rastreamento de contatos e confirmação laboratorial de infecção pelo vírus Andes (ANDV) em parte dos casos.
Na atualização publicada em 13 de maio de 2026, a OMS relatou 11 casos associados ao evento, incluindo três mortes. O risco para a população geral foi avaliado como baixo, mas o caso chamou atenção por reunir fatores importantes para a vigilância: ambiente confinado, circulação internacional de passageiros, contato próximo e possibilidade de transmissão interpessoal limitada em situações específicas.
Mais do que gerar alarme, o episódio reforça uma mensagem prática para laboratórios e serviços de saúde: diante de doenças zoonóticas potencialmente graves, o reconhecimento clínico precoce e o diagnóstico laboratorial confiável são essenciais para orientar a investigação, apoiar a vigilância e contribuir para a resposta em saúde pública.
A hantavirose é uma doença infecciosa causada por vírus do gênero Orthohantavirus. A transmissão ocorre principalmente pela exposição a aerossóis ou materiais contaminados por urina, fezes ou saliva de roedores infectados, especialmente em ambientes com infestação ou contato com habitats de roedores.
Em humanos, os hantavírus podem causar diferentes síndromes clínicas. Nas Américas, a manifestação de maior relevância é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), também conhecida como Hantavirus Pulmonary Syndrome (HPS) ou Hantavirus Cardiopulmonary Syndrome (HCPS), caracterizada por comprometimento respiratório e cardiovascular, com potencial de evolução grave.
O vírus Andes é endêmico em regiões da América do Sul e é reconhecido por uma característica epidemiológica particular: embora a transmissão de hantavírus ocorra, em geral, a partir de roedores, a transmissão pessoa a pessoa já foi descrita para infecções associadas ao vírus Andes, especialmente em contextos de contato próximo e prolongado.
Um dos principais desafios clínicos da hantavirose é que a fase inicial pode ser inespecífica. Febre, mialgia, cefaleia, calafrios, tontura e sintomas gastrointestinais podem se sobrepor a outras condições infecciosas, como dengue, leptospirose, influenza, pneumonias atípicas e outras síndromes febris.
Além disso, a evolução para manifestações respiratórias e cardiovasculares pode ocorrer de forma rápida. Por isso, a suspeita clínica, o histórico epidemiológico e a escolha adequada dos métodos laboratoriais são decisivos para a investigação dos casos.
Outro ponto relevante é que a detecção direta do RNA viral pode ter limitações na rotina, especialmente quando a viremia se torna baixa ou indetectável. Nesse contexto, a sorologia ocupa papel central na confirmação laboratorial da hantavirose.
Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico específico da hantavirose é feito, basicamente, por meio da sorologia, e a detecção de anticorpos IgM tem grande importância na fase aguda, pois esses anticorpos costumam estar presentes desde o início dos sintomas e podem permanecer circulantes por semanas.
Na prática, um resultado IgM positivo pode apoiar a investigação de infecção recente por hantavírus, sempre em associação com o quadro clínico, histórico epidemiológico e demais critérios laboratoriais. A avaliação de IgG, por sua vez, pode contribuir para a interpretação sorológica, estudos epidemiológicos e investigação de exposição prévia, conforme o contexto de uso.
Em situações como a do MV Hondius, a sorologia também se mostra relevante para o suporte à vigilância epidemiológica, pois auxilia na confirmação ou descarte de casos suspeitos, no acompanhamento de clusters e na organização das respostas de saúde pública.
Nesse cenário, ensaios sorológicos específicos e confiáveis são ferramentas importantes para apoiar a rotina laboratorial. A Euroimmun oferece testes ELISA para a detecção de anticorpos anti-hantavírus nas classes IgM e IgG:
Os ensaios foram desenvolvidos com proteínas recombinantes do nucleocapsídeo para a detecção de anticorpos contra hantavírus relevantes nas Américas, incluindo os sorotipos Andes (ANDV) e Sin Nombre (SNV), em amostras de soro ou plasma.
Entre os diferenciais analíticos dos testes estão a alta especificidade diagnóstica, excelente desempenho analítico, ausência de reatividade cruzada detectável e maior confiabilidade para apoio à rotina laboratorial.
A qualidade dos antígenos utilizados no ELISA contribui diretamente para a robustez do ensaio e para a confiabilidade dos resultados, especialmente em contextos nos quais decisões clínicas e epidemiológicas dependem de uma investigação laboratorial precisa.
Para laboratórios que atuam em doenças infecciosas, a disponibilidade de ensaios sorológicos robustos contribui para uma rotina mais preparada, com maior segurança na investigação de casos suspeitos e melhor suporte à vigilância epidemiológica.
Em um cenário de vigilância global cada vez mais integrado, precisão diagnóstica não é apenas um diferencial técnico: é parte essencial da resposta em saúde pública.
Olá, sou a Josie,
a nova assistente virtual da
EUROIMMUN Brasil.